RIBEIRA, NOVOS HORIZONTES

Forum de opinião e debate da vida quotidiana da Ribeira

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Location: Ponte de LIma, Viana do Castelo, Portugal

Sunday, August 3, 2008

OS 100 ANOS DE ANTÓNIO VIEIRA LISBOA





Carta de uma mulher


António, eu não podia assim ser tua…
E não julgues que fujo ao Amor que me cerca.
Por Ti, a minha carne moça estenua…
Se me retraio, é só… para que não Te perca.

No modo como me olhas, o Corpo estremece.
Nos olhos vejo o meu Desejo que avassala
e o tom da Tua voz, a minha carne aquece…
e quasi tonta, a Tua fala
oiço-A sonâmbula
d’olhos fechados, para ouvir na treva
como magia ou Sonho que me enleva
como carícia ou musica noctâmbula
em que o meu coração se depura e se esquece.

No entanto, eu não podia assim ser tua…
E resisti – nem sei como – a esse impulso!
Quanto sofri!...mas, o homem tudo desvirtua
e, já talvez me visses, com olhar repulso.

António! Eu sei que Tu és diferente
Que te magoo até no que estou a dizer-Te…
Mas sou mulher e como incoerente
Não sei que faça para não perder-Te.

Não é só o medo de entregar-me que me impede.
Sou tua desde o tempo em que Te sonho…
E enquanto possa me estonteio neste Sonho
Até desfalecer completamente nua
Com Alma e Coração à flor da pele.

Tão longe Te julguei… como alto Te ponho,
Mas, a Ti junta como um fruto incônho,
no modo que me der, que ninguém Te possua
e o ímpeto de Alegria o Amor Te revele.

Talvez eu seja quem mais sofra de nós dois…
Inda não sei esperar sem que me lembre,
Mas quando tua for…logo…amanhã…depois…
guarda-me para sempre.


Do livro "Poemas de Amor e Dúvida"

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Monday, July 28, 2008

E ASSIM SE VAI FAZENDO "JUSTIÇA"



Está patente na Biblioteca de Ponte de Lima, uma exposição com livros e outos objectos pessoais do poeta António Vieira Lisboa, que viveu na Casa da Garrida, no termo da freguesia da Ribeira, falecido em 1968.

Aqui fica um convite para que todos possam passar por lá, vão ver que vale a pena!

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Saturday, July 12, 2008

RECORDANDO UMA TRAGÉDIA VIVIDA EM 1939



UMA TROMBA DE ÁGUA

“Inundou campos de 11 freguesias deste Concelho,
Destruiu muros de vedação, pontões, mais de 100 moinhos, importantes latadas, causou 4 vítimas e incalculáveis prejuízos”.

È desta forma que o Cardeal Saraiva de 15 de Junho de 1939, nos descreve a intempérie que teve a sua origem nos montes da Boalhosa e se abateu sobre os vales do rio Trovela, Ribeiro de Serdedelo e Ribeiro da Gemieira, no concelho de Ponte de Lima nesse ano.
A Ribeira, foi uma das freguesias mais afectadas embora não houvesse vitimas a lamentar, no entanto os estragos foram avultadíssimos.

“ Na ponte dos Nova (Fornelos) a água atingiu a altura de 20 metros e cavou uma profundidade de leito, de 6, dois metros menos, que a escavação verificada na ponte dos Alfanados.”
“ No Couto e na Ribeira, o gado de trabalho que pascia nos campos, inopinadamente surpreendido pela vaga assoladora que bramia e galgava, ora mergulhando, ora reaparecendo à flor da corrente infernal que tudo subvertia, lutava em pugna gigantesca contra a morte iminente, fincando-se nas patas onde encontrava solo resistente que lhe servisse à fuga.”

“ Na Ribeira, pelas alturas da Sardinha, Maria da Conceição Martins, em presença da súbita inundação que crescia veloz, trepou aflitivamente a uma macieira com a intenção maternal de poupar a preciosa vida de seu filhinho Manuel, de 5 anos e a sua própria vida.”

Deixo estas pequenas descrições daquilo que aconteceu naquele ano de 1939, para que a memória não esqueça a importância que ainda hoje tem a necessidade em manter limpas as linhas de água e as margens dos ribeiros e levadas que atravessam a freguesia.

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Sunday, July 6, 2008

RECORDANDO UMA TRAGÉDIA


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Saturday, July 5, 2008

UMA NOTICIA DO CARDIAL SARAIVA DE 1939


UMA TROMBA DE ÁGUA

"Eram ainda mal extintos os últimos ribombos da trovoada quando, o tinir agudo da sineta dos Bombeiros repicava, acusando o alarme.
Em correria doida uma pobre mulher clamava por socorro, anunciando um dilúvio que alagava e arrasava o lugar de Crasto..."


Desta forma nos dava a noticia o jornal Cardeal Saraiva de 15 de Junho de 1939, a pobre mulher que pedia socorro era a esposa do sr. Gonçalo bombeiro, Custódia da Costa, que se encontrava nos alfanados e ao ouvir o estrondo provocado pelo deslizamento das terras sobre os campos de Serdedelo, correu a pedir ajuda até à ponte de Crasto.

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Saturday, June 21, 2008

UMA TRADIÇÃO AINDA VIVA NA RIBEIRA


Açude da levada de Crasto, junto ao moinho de Argemil no lugar da Lagoa

Parte da levada da Crasto, depois das obras de construção da Auto-Estrada A3


Parte da levada de Crasto, perto do Solar da Quinta da Aldeia em Crasto



"A LEVADA DE CRASTO"

A agricultura já não tem a importância que teve e são cada vez menos as pessoas da freguesia que se dedicam a essa actividade.
Mas apesar dessa diminuição da actividade agrícola, ainda hoje se pode verificar uma prática, que remonta aos séculos passados, trata-se da limpeza da “levada de Crasto”.
Bem cedo, logo pelas primeiras horas do dia, no sábado de véspera de S.João, os lavradores do lugar, encarregam-se da tarefa de limpar a levada.
Todas as famílias com direito a regar, tem como obrigação, neste dia, mandar uma pessoa para a limpeza da levada.
Desde as costas, bem junto à veiga, passando pela Cruz de Pedra, Rocha, Semoinhos, seguindo sempre em direcção à Lagoa, junto do moinho de Argemil, onde a água é recolhida e encaminhada para a referida levada.
A levada de Crasto, sempre desempenhou um papel de importância capital na irrigação das terras do lugar de Crasto, ao ponto de ter havido uma morte, no Sec.XX, por causa de uma teimosa e alardisse disputa de águas, a vitima foi, “António José de Carvalho, assassinado no dia 14 de Febreiro de 1873 com a edade de 28 anos”, conforme o cruzeiro que testemunha o triste acontecimento, colocado no local (Rocha).
A água entra em partilhas, no dia de S. João e a partir desse dia é religiosamente respeitado o tempo que está destinado a cada uma das parcelas regadas por essa levada.
Este complicado sistema de partilha, é digno de um autêntico tratado, pelo que irei dedicar-lhe uma atenção mais detalhada.

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Friday, June 13, 2008

O DIA EM QUE MORREU O POETA VIEIRA LISBOA

Precisamente no dia em que passam 40 anos após a morte do poeta António Vieira Lisboa, " o poeta esquecido", deixo-vos um poema em que ele se referia à sua morte.

Na verdade o poeta morreu ainda novo, ao fim da tarde do dia 13 de Junho de 1968.

Ponte de Lima, nesse dia via partir para o Olimpo, uma das mais belas vozes que tão bem souberam cantar o seu Amor à mulher e ao Lima.

A voz do poeta dos Versos Estranhos, não encontrou ainda nesta terra o eco da sua paixão pela beleza do rio e das suas gentes, bem como ainda não lhe foi reconhecido devidamente o mérito.

Estou certo que não tardará a devida homenagem, bem como a reedição das suas poesias.


Se eu morresse amanhã


Se eu morresse amanhã
diria em minha Aldeia todo o povo:
«Uma pessoa assim tão sã
que pena!... Moço tão novo!»

E a boa gente em triste compostura
iria em passo lento e tom funério
Acompanhar-me à sepultura
do velho Cemitério

E o meu vizinho, filho d’Algo e perro
porque faz pó o meu buick lesto
de fraque preto iria ao meu enterro
cheio de si e do seu gesto.

E Aquela que a sorrir me dilacera
e torna a minha Vida quási vã
tinha remorsos do que me fizera
se eu morresse amanhã.

Mas eu morro de velho e à passagem
que todos digam em voz alta:
Feliz viagem.
Já não fazia falta.


Do livro: poemas de Amor e Dúvida, livraria Portugália, Lisboa 1941

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Thursday, June 12, 2008

BIOGRAFIA DO POETA ANTÓNIO VIEIRA LISBOA - 40 Anos após a sua morte






ANTÓNIO DA SILVA GOUVEIA VIEIRA LISBOA, filho de António Augusto Vieira Lisboa, gerente do Banco Ultramarino, natural de Ponte de Lima e de Dª Beatriz da Silva Gouveia Vieira Lisboa, natural de Bolama-Guiné, neto paterno de Alfredo Calixto Vieira Lisboa e de Dª Rosa Carolina Vieira Lisboa e materno de António da Silva Gouveia e de Dª Henriqueta Pereira de Gouveia, nasceu em Luanda, na então Província Ultramarina de Angola, ás três horas e vinte minutos da manhã, do dia 20 de Julho de 1907.

Foi baptizado no dia 6 de Maio de 1908, na igreja de Nª Sª dos Anjos, na Cidade de Lisboa.

Foram padrinhos de baptismo o senhor António Maria Vieira Lisboa, casado, Conselheiro, juiz da Relação de Lisboa e sua esposa, a Sª Dª Margarida Vieira Lisboa, segundos tios do baptizado.

A cerimónia foi presidida pelo Revº Prior Francisco Mendes Alçada de Paiva, pároco da Freguesia dos Anjos, na Cidade de Lisboa.

António Vieira Lisboa formou-se em Direito.

Instalado na sua “Casa da Garrida”, em Ponte de Lima, no termo da freguesia da Ribeira, o advogado poeta, começa a sua criação artística, embalado pela natureza limiana que o inspira de uma forma intensa.

Aos 28 de Julho de 1934, casa-se na Conservatória do registo Civil de Ponte de Lima, com Maria Guilhermina Vieira Lisboa, não havendo filhos, o casal acabaria por separar-se, sendo decretado o divórcio no dia 26 de Dezembro de 1944.

A Europa vivia mergulhada numa crise profunda decorrente da 2ª Grande Guerra Mundial e do avanço do poderio Alemão, que explorava os povos dos países que capitulavam diante da máquina de guerra do Fuhrer.

Decorria o Ano de 1940 e nas oficinas gráficas da “Gazeta dos Caminhos-de-Ferro”, em Lisboa eram impressos os exemplares da sua primeira obra literária, Versos Estranhos, que haveriam de ser editados pela mão da livraria Portugália.

No ano seguinte, novamente a livraria Portugália dava à estampa um novo titulo, tratava-se dos Poemas de Amor e dúvida, que foram impressos na gráfica Santelmo, em Lisboa.

Os anos seguintes foram de intensa actividade criativa por parte do poeta, publicando sucessivamente em:

Em 1942, Mulheres (Versos).

Em 1943, Chão de Amor.

Em 1944, Teu Corpo Minha Alma.

Em 1945, Testamento Sentimental.

Em 1946, Bess.

De notar, que as publicações de 1944 a 1946, não chegaram a entrar no mercado.

Em 9 de Setembro de 1947, o poeta Vieira Lisboa, terminava aquela que haveria de ser a sua última criação literária e nada melhor do que tratar os temas que sempre o inspiraram, a Mulher e o Lima.

Ao Longo do Rio Azul, só haveria de ser tornada pública dois anos mais tarde, decorria já o Ano de 1949.

Mas António Vieira Lisboa, não viveu encerrado no interior do seu solar da rua do Arrabalde, os amigos eram presença assídua nos almoços e jantares com que presenteava os seus convidados.

António Vieira Lisboa foi presidente da Direcção da Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima, de 1936 a Junho de 1938.

Vieira Lisboa, era um amante da sua terra, da gente e das tradições limianas, não esqueçamos, que era na sua “Casa da Garrida”, onde repousava o touro que em véspera de Corpus Christi, haveria de correr na tradicional “Corrida da Vaca das Cordas”.

Paralelamente à sua criação literária e intervenção cívica, desenvolveu um importante papel na dinamização da agricultura e indústria local.

Vieira Lisboa, nas propriedades que possuía, sobretudo nas freguesias da Ribeira (Quinta dos Fortes, Qt. Bouça, Qt. do Pombal e QTª da Aldeia) e Rebordões (Quinta das Fontes e da Queixadinha), foi pioneiro na introdução de novas práticas agrícolas, bem como na experimentação de novas culturas.

Desempenhou um importante papel na actividade industrial do concelho, ao nível da produção e fabrico de azeite.

António Vieira Lisboa era um homem bom!

As escadas da sua casa da Garrida eram enxameadas por mendigos e pedintes, que aí recorriam para muitas das vezes matarem a fome. Este homem era incapaz de negar a ajuda a quem dele se abeirasse. As crianças, eram a sua alegria e por elas era capaz das maiores loucuras, nunca fez distinção entre os seus meninos e os filhos dos caseiros e demais serviçais.

Já acometido pela doença, casou-se no Hospital de Ponte de Lima, no dia 31 de Maio de 1968, com Maria Libânia M. Vieira Lisboa, com quem teve quatro filhos.

No dia 13 de Junho de 1968, dia de Santo António, pelas 18 horas, os sinos da matriz de Ponte de Lima, anunciavam a triste notícia do seu falecimento no Hospital da Misericórdia, agastado pela doença, o Homem e o Poeta, haviam-se calado para sempre.

Ponte de Lima, via partir tão cedo, uma das vozes que componha o coro daqueles que tão bem souberam cantar o Amor a esta terra.

Não me parece que a dor desta perda tenha encontrado eco suficientemente justo na terra que tanto amou no seu lirismo Limiano.

Vieira Lisboa, merecia mais e Ponte de Lima, continua a dever-lhe o respeito e o merecido reconhecimento pelo seu mérito.



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Saturday, June 7, 2008

AS CAPELAS DA FREGUESIA DA RIBEIRA - Contributo para o seu conhecimento histórico


Interior do Monumento - Capela de Nª Sª de Fátima



MONUMENTO A CRISTO REI
, sobranceiro à igreja paroquial, perfeitamente enquadrado na paisagem, fica o monumento a Cristo Rei, construido em granito da região, mandado erigir pelo padre Revº Manuel Joaquim Gomes durante a década de 60.
No seu interior, encontra-se a CAPELA DE Nª Sª DE FÁTIMA, de quem o padre Gomes era um fervoroso devoto, foi inaugurada no dia 13 de Maio de 1967 e representa a homenagem e devoção da paróquia de S. João da Ribeira a Nª Sª de Fátima no cinquentenário das aparições.
O monumento, só seria concluído anos mais tarde.
Com a chegada à freguesia de um novo pároco, o Revº Padre Eugénio, foram colocados os sinos na torre sineira, concluindo-se assim o sonho do padre Gomes.
Este monumento é hoje uma das referências da freguesia, podendo ser avistado em qualquer miradouro desde Viana do Castelo.


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Sunday, June 1, 2008

AS CAPELAS DA FREGUESIA DA RIBEIRA - Contributo para o seu conhecimento histórico


CAPELA DE SANTA CATARINA, no alto do monte de Sta Catarina, encontra-se, esta capela Medieval, que pertencia ao Povo e tinha Confraria.
Por volta de 1730, foi reformada, pois nesse ano foi pedida licença para a benzer. (1)
Ainda hoje se ouve dizer que os pescadores de Viana se encarregavam de mandar a cal necessária para caiar as suas paredes, pois a mesma servia de “ farol “, pois como se avistava do alto-mar os barcos orientavam-se por ela, quando se aproximavam da entrada na barra.
Hoje, pertence à paróquia, que a mandou restaurar em 2001.
Em 2007, o pároco Eugénio, mandou colocar um calvário em frente da mesma, como corolário das várias estações da Via-Sacra, que foram colocadas ao longo do caminho de acesso à capela.
Actualmente, o povo desloca-se ai para venerar a Santa no dia da festa, ou para desfrutar da excelente vista panorâmica que dais se pode observar, podendo contemplar-se todo o Vale do Lima até ao mar de Viana.

(1) Arquivo Distrital de Braga

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Saturday, May 31, 2008

AS CAPELAS DA FREGUESIA DA RIBEIRA - Contributo para o seu conhecimento histórico



CAPELA DE Nª Sª DA ABADIA, em fonte Coberta, no lugar da Ermida, sopé do monte do Castelo, limite da freguesia com Serdedelo.
Em 1656, Gaspar Pereira, fidalgo da Casa Real, Cavaleiro da Ordem de Cristo e senhor do Couto de Mazarefes e das Terras de Paradela e Crasto, fez doação de doze medidas, metade para cada uma das capelas que possuía nas suas propriedades da Ribeira (Sª da Abadia e Sta. Tecla)
Ainda hoje esta capela ostenta na fachada principal o Brasão da “Família Pereira”.
Impostas em metade do Campo do Boalhoso, para nelas se poder continuar a celebrar missa e ofícios divinos. (1)
Em 1788 (Tombo) era seu administrador, Fradique Lopes de Azevedo, padroeiro da igreja da Ribeira.
No Inquérito Paroquial de 1845, diz-se que é sustentada com esmolas dos devotos, embora o Pároco afirme que lhe consta ser ela de Francisco Lopes de Azevedo Velho, estando segura e decente, pois tinha sido reedificada há poucos anos.
Actualmente pertence à paróquia, que aí celebra uma romaria no mês de Agosto.
O actual Pároco da freguesia, o Revº pároco Eugénio, procedeu a obras de restauro da capela.

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AS CAPELAS DA FREGUESIA DA RIBEIRA - Contributo para o seu conhecimento histórico


CAPELA DE S. FRANCISCO, na Quinta da Garrida, em Talharezes.
Em 1739, Francisco Alves da Silva, deixou em Testamento um vinculo para edificar uma Capela, nomeando seu primeiro administrador, o filho menor António José, com apenas 14 anos, e como testamenteiro o seu cunhado Bernardo Malheiro Pereira, doando-lhe para fábrica quarenta alqueires de pão impostos no campo da Pena, com suas uveiras e devesa, com o encargo de duas missas quotidianas. (1)
Esta Capela apresenta na fachada a data de 1740.
Nas memórias Paroquiais de 1758, era seu proprietário António Jozé da Silva e Mello.
Em 1788 (Tombo) pertencia à viúva D. Maria Micaela da Gama Araújo e Azevedo, como tutora de seu filho mais velho António de Melo da Gama, a quem pertencia ainda em 1845, segundo o inquérito paroquial desse ano, aparecendo referenciada como sendo da Senhora da Lapa.
Ainda segundo o mesmo inquérito, estava segura e decente, com bons paramentos e um bom património de raiz, com legado de missas todos os domingos e dias festivos, que sempre se tem cumprido, embora não se saiba quando terminou esta prática.
Em conversas com pessoas idosas do lugar, ainda era feita referencia, pelos seus pais, a procissões que se faziam a esta capela, a pedir chuva em anos de seca severa.
Actualmente a propriedade, encontra-se na posse dos caseiros, encontrando-se a Capela profanada e em mau estado de conservação.

(1) Arquivo Distrital de Braga


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AS CAPELAS DA FREGUESIA DA RIBEIRA - Contributo para o seu conhecimento histórico

CAPELA DO SENHOR DA CRUZ DE PEDRA, capela pública, em Crasto, não consegui muita informação sobre a mesma, no entanto, no inquérito paroquial de 1845, é referida a existência desta capela com Irmandade por conta da qual corre a sua fábrica.
Como não é feita qualquer referência a esta capela nas Memórias Paroquiais de 1758, tudo leva a crer que a sua construção é posterior às mesmas.
Por isso não é muito antiga.
Em 1985, foram feitas obras de restauro das paredes, exteriores e interiores, onde foi colocada uma imagem do Senhor da Cruz de Pedra em granito, numa das paredes laterais.
Sobre esta capela, que é nos dias de hoje, a par com a igreja paroquial uma das mais importantes da freguesia, voltarei a ela logo que conclua as pesquisas que estou a fazer sobre a mesma.



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Thursday, May 29, 2008

AS CAPELAS DA FREGUESIA DA RIBEIRA - contributo para o seu conhecimento histórico




CAPELA DE JESUS, MARIA E JOSÉ, em Crasto, fundada em 1737 pelo Padre Francisco da Costa Faria, natural de Ponte de Lima, pároco de Sta Leocádia de Geraz do Lima, que mandou construir na sua propriedade, em S. João da Ribeira (Quinta de S.José ou da Portela), uma Capela com 43x42pals. De dimensão,"bem feita e decente", tendo nas paredes laterais duas frestas, deveria apresentar obra de pedraria feita "com primor de arte". Ao mesmo tempo, "com muita decência a composição do Altar, com seo retábulo dourado". As imagens de S. Domingos e S. Francisco, "com muita decência e ao moderno e perfeitamente estufadas".
Nas Memórias Paroquiais de 1758, chamava-se da Nossa Senhora do Desterro e pertencia ao Dr. José Galban de Faria e em 1788 à sua filha.
Em 1845, era proprietário o padre José Maria Rodrigues, apresentando-se a mesma só com as paredes em pé.
Esta propriedade, incluindo a capela foi mais tarde pertença de João Marcos de Sá, (senhor da casa do Paço de Beiral do Lima) e Joaquim Guedes, foi vendida a António Leite de Macedo, funcionário da Fazenda pública, natural de Figueira de Castelo Rodrigo.
Em 22 de Outubro de 1907, a Quinta de S. José ou da Portela, foi adquirida por António José de Araújo, encontrando-se a propriedade na posse da família "Curinheira" desde essa data.
A Capela está em ruínas, só com a fachada e paredes em pé.


(1) Arquivo Distrital de Braga

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AS CAPELAS DA FREGUESIA DA RIBEIRA - Contributo para o seu conhecimento histórico





CAPELA DE Nª Sª DO BOM SUCESSO, situada ao fundo da Quinta de Crasto, mais tarde designada de Quinta do Bom Sucesso, virada para o Rio Lima, de D. Páscoa de Barros, onde, em 1704, viviam Francisco Pereira Brandão Vaz Campelos e sua mulher D. Maria Barbosa e Faria, os quais tinham licença para fazer às portas da sua Quinta uma capela, tendo obrigado o Campo da Carreira, que pagava 30 Alqueires, para sustento da mesma. (1)
Nas Memórias Paroquiais de 1758,esta Capela e quinta pertenciam a Álvaro Barbosa e Aborim, da Cidade de Braga.
No Inquérito Paroquial de 1845, era pertença de D. Maria José Barbosa, da cidade de Braga, e estava segura de paredes, mas não muito decente.
Mais tarde, já no SEC.XX, pertenceu também ao poeta Dr. António Vieira Lisboa.
Os santos ai existentes foram retirados, encontrando-se a imagem de Nª Sª do Bom Sucesso, na Capela da Cruz de Pedra, onde é venerada.
Actualmente, a capela e Quinta é propriedade de Avelino pereira de Barros e Herdeiros de Júlio Alves, comerciantes em Ponte de Lima, foi profanada, encontrando-se em avançado estado de degradação.



(1) Arquivo Distrital de Braga

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Tuesday, May 27, 2008

AS CAPELAS DA FREGUESIA DA RIBEIRA - contributo para o seu conhecimento histórico


CAPELA DE S. JOSÉ, ligada à casa dos da Garrida, situada na rua do Arrabalde de S. João de Fora, no termo da freguesia, lugar de Crasto.
Esta capela foi construída por José Azevedo Pereira Pinto, em 1747.
Segundo as memórias Paroquiais de 1758 e no Tombo de 1788, onde se diz que era seu proprietário José de Azevedo, e hoje é de D. Maria Micaela, na qualidade de tutora de seu filho António de Melo, que ainda era seu administrador em 1845, segundo um inquérito paroquial.
Mais tarde a casa e capela pertenceu ao Juiz Conselheiro Pinto Osório e posteriormente à família do poeta António Vieira Lisboa.
As paredes desta capela eram revestidas a azulejos, que retratavam a vida de S. José, o pai adoptivo de Jesus Cristo.
Esses painéis de azulejo mantiveram-se na capela até meados do Sec.XX.
Foi retirado por estranhos após a morte do seu proprietário o poeta António da Silva Gouveia Vieira Lisboa, falecido em 1968, principalmente no período em que a casa esteve abandonada.
Em 24 de Fevereiro de 1970, a propriedade, incluindo a casa e capela foi adquirida pelo Sr. Manuel Gonçalves, morador no lugar de Compostela, freguesia de Requião, concelho de Vila Nova de Famalicão, com o intuito de transferir o imóvel para uma sua propriedade, que possuía no referido concelho de Famalicão.
A Câmara municipal de Ponte de Lima, presidida pelo Dr. Álvaro Rebelo Vieira de Araújo, opôs-se à pretensão do industrial e pediu a declaração de interesse público para o imóvel a qual foi concedida em 21 de Fevereiro de 1973.
O edifício, já em avançado estado de ruína, foi adquirido pela Câmara Municipal de Ponte de Lima, no dia 26 de Dezembro de 1978, para que no mesmo fosse instalado um museu e Centro de Cultura.
O Município cedeu o imóvel ao Dr. Salvato Trigo, que procedeu a obras de restauro e ampliação, para que aí fosse instalado um pólo da Universidade Fernando Pessoa.
A capela ainda hoje existe, tendo sido recuperada durante as obras a que a casa foi sujeita para instalar o Pólo de Ponte de Lima da Universidade Fernando Pessoa.

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Sunday, May 25, 2008

OS LIMITES DA FREGUESIA DA RIBEIRA, NO SEC.XVI

Marco existente na Rua do Arrabalde/Limite com Ponte de Lima




Apresentei a delimitação da freguesia no Sec XI, agora, passo a descrever em resumo os limites da freguesia da Ribeira, segundo o Tombo de 1788, que é uma Cópia do Tombo Velho de 1585.
Assim, diz-se que os limites da freguesia começavam a partir pela foz do Ribeiro de Mirancelho, onde se mete no Rio Lima.
Com a mudança da capela de S. João, existente na torre da muralha (onde está actualmente a fonte de S.João, no largo do mesmo nome em Ponte de Lima), após a demolição da referida torre e muralha, a capela foi transferida para o actual local, havendo necessidade de mudar a foz do referido ribeiro mais para montante e com isso, os limites da freguesia sofreram um recuo, indo o ribeiro pela ponte do Collumbeiro.
Assim os limites, começam … na testada do campo do Giestal… face ao nascente pela parede do campo do Giestal e da Quingosta de Mirancelho, pelo qual vinha o dito Ribeiro… daí ao marco que está dentro da Quinta dos Leitões… daí a um marco grande com as letras “S.João”, junto à estrada… e daí em direitura ao Sul pelo primeiro tabuleiro das casas que possui a viúva da Garrida ficando dentro dos limites desta freguesia metade do mesmo tabuleiro e a porta mística à varanda que vai dar à capela desta casa e daí vai sair ao quintal… principiando-se a medir na parede das traseiras dessa casa… pelas escadinhas que sobem para o quintal e pela carreira dela dar a uma capelinha que está no meio do quintal, ficando a dita capelinha já nos limites da vila… e daí vai por entre uma devesa dar à estrada ou caminho publico que vem da Porta de Braga dar à Ponte de Crasto… onde havia um marco… daí ao portal da casa dos caseiros da Quinta do Olho marinho (Marco).
Limites com S. Bento de Arca: Vai pela Devesa Nova… daí à Devesa Terrestre dos Leitões (marco) … vai ao caminho público que vem do Cruzeiro (Casas dos Couros) para a Ponte de Crasto… à Eira da Aboboreira… ao Ribeiro que vem da Ponte dos Alfanados para a Ponte de Crasto… e vai dar ao Rio de Baixo ou do Regedouro… à cancela dos moinhos da Ponte dos Alfanados à Fonte dos Alfanados e daí corta pelo meio do monte acima (Monte dos Carreiros) … vai dar ao Teso (alto) da Chão dos Carreiros ao pé duma cova que o mesmo Teso tem no meio, onde se diz que aí foi encontrada uma Mámua com elevado valor… do dito marco do Teso… em linha direita ao outro montinho de terra (Mamoa) com uma cova no meio que hoje tratam pelo Coto de Montilhão, sitio da Pedrinha Erguida… seguindo pelo meio do monte da Gandra Longa acima dar a outro montículo de terra com uma cova no meio (Mamoa) … daí em direitura a um outeirinho que tem no meio uma cova (Mamoa) que lhe fica em pouca distancia para a parte do poente a Devesa chamada Mixido finalizando com S. Bento.
Limites com Fornelos: Da devesa do Mixido a um Penedo raso quase ao nível da Terra… daí corta acima águas vertentes, para os Campos das Estivadas vai dar à Fonte de Aldotes… a qual fonte é subterrânea vai ao Ribeiro das Estivadas (marco) parte em direitura a nascente pelo Monte de Lousado acima… topa a tomada de Pena Fita (marco), hoje conhecido pelo Marco do Moinho de Vento.
Limites com Serdedelo: Do Marco do Moinho de Vento ao marco de Cotelainha… Fervenças … Poça do Azebral… Ribadal… Campo da Cabra… Boca… Ribeiro da Boca… Campo do Berdial… Campo de Chouselas… Vessada… Carreiros… Casal da Granja… Fonte Coberta… Marco dos Arieiros… ao Penedo Rachado, no Alto do Monte.
Limites com Gondufe: Monte da Gandarela em direcção ao poente pelo meio do monte abaixo vai dar aonde nasce o Ribeiro de Vinhó… ao Poço de Lourido findando no Pigeiro de Lourido… ao Rego da Valinha… Vinha dos Espinheiros (marco posto em uma vinha chamada Cima de Vila, quase encostado ao cumareiro que topa pelo norte o Campo e Vinha do Espinheiro) … e do marco … da Vinha de Cima de Vila… vai ao Campo de Soutelinho… Cachadinhas… Ribeiral… e Quingosta do Ferral daí ao norte pelo Ribeiro do Grilo vai à estrada de Ponte de Lima… e daí sempre pelo mesmo Ribeiro vai ao rio Lima.




Marco existente no Alto da Sardinha/Limite com Fornelos

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Saturday, May 24, 2008

OS LIMITES DA FREGUESIA DA RIBEIRA NO SÉC. XI



A Ribeira é uma terra com mais Mil Anos de história colectiva, que deveria fazer desta comunidade, uma das relíquias da civilização limiana.
Da freguesia da Ribeira, surgem referencias sendo citada no Ano de 985, quando Tello Alvites e sua mulher, fazem doação ao mosteiro da Antealtares, na Galiza, de uma vila denominada Paradela, com a igreja de devoção de S. Salvador, a qual já lhes pertencia desde o tempo de seus avós, bem como a igreja de S.João, junto ao Rio Lima, (Igreja Paroquial da Ribeira).
Doação que foi renovada em 1063, em carta de Couto dada pelo Rei D. Fernando Magno e sua mulher Dª Sancha; Nela se indicam os limites da dita vila.
Que para conhecimento geral, se transcreve:

“Pró illa pariete de Nasseyros, que dividit inter Vega de Castro et illa Garganta de
Limie e inde (e daí) in directo ad illa Arca que stat inter Bouza de Comité (Bouça do Conde) et Castro et inde pró illa Cerro de Arqua que stat inter Paradela et Arca et inde per Gandara Longa ad ipsom mamolam (Mamoa) cum ipsa ante at inde ad Lamas et inde per Recosende ad illa marco quad stat juste Verede que dividit inter Vite (Vide) et Villar de Cerecetello (Serdedelo) et inde ad illa Patrone (Marco/Padrão) quad stat super illa Fervita (Fervença) inter Vilar et Cerecetello et inter pró illa Pariete (parede) inter Bouza Calcin et Cernato (Sernado) et inde ad Bouza Monrelli et inde Vello Valle Sursum indirecto ad illa Fonte et inde a Fonte Coberta et inde per Barrosa et inde Petra superta posi (pedra sobre-posta/Dólmen) et inde per Castro Suberoso (castro Sobroso/castelo Ermida) et inde ad illa Vallo antiqua de Viniola et inde per Currellos et inde ad Fontanellas (fontelas) et inde Petra Ficta (pedra fita/marco) que stat inter Taliarases et Paratela et inde ad illa monte de Spinetello (espindelo) et inde in promopro ipso lombo ad arelia (pelo lombo até à areia) que stat inter Sancto Johane et Insuelle (S.João e insuela) et inde per illa vallo antiquo que vadit per loginas pró ad aqua Limie et inde trans Limie (atravessando o rio Lima) sursum per ad petra rotata et inde per fonte de varalia (borralho, Refoios) et inde per muracellos de pariete que dividit inter veralia et Vega (veiga) de nasseyros et inde Aqua Limie inde premier levavimes. (onde se começou a demarcação) ”

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Saturday, May 10, 2008

UM INCÊNDIO EM CRASTO EM 1940

No dia 6 de Junho de 1940, o Jornal Cardeal Saraiva dava-nos conta da seguinte noticia:

" Na madrugada do dia 2 de Junho de 1940 manifestou-se um incêndio num barracão que servia de garagem duma camioneta pertencente ao Sr. Manuel Soares de Melo, no lugar de Crasto-Ribeira.
Os nossos bombeiros que prontamente compareceram no local evitaram a propagação do incêndio a um prédio contíguo."

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Tuesday, April 29, 2008

UM OLHAR SÁBIO DO ARQUITETO ANDRÉ ROCHA SOBRE O PATRIMÓNIO DA RIBEIRA

Com a devida vénia ao seu autor, o Arquitecto André Rocha, não podia deixar de colocar aqui a fotografia que o mesmo publicou no seu blog e que faz referencia à porta lateral da igreja de S. João da Ribeira.

Não queria deixar passar esta oportunidade, para relembrar que todo aquele espaço envolvente à igreja paroquial merecia um estudo para uma possível intervenção e o arq. André Rocha deveria ser convidado para dar a sua opinião.

Agora que o edifício da Sede da Junta de Freguesia vai ser totalmente remodelado, seria útil abranger esse estudo a toda aquela área envolvente.

As grandes obras são aquelas que deixam marcas na memória das pessoas; Esperemos que se tenham os cuidados necessários para não descaracterizar aquela paisagem, que tem servido de tela para pintores e fotógrafos.


Porta lateral da igreja românica de S.João da Ribeira

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